Qualidade de imagem e artefatos na angiotomografia de coronárias
Dr. David F. Cuevas Cueto · Atualizado em 27 de setembro de 2026 · Fontes: SCCT 2026 e CAD-RADS 2.0
Antes de graduar uma estenose, é preciso saber o quanto se pode confiar na imagem. Esta seção reúne a escala de qualidade global, o segmento não avaliável e os artefatos que podem simular ou ocultar doença, segundo o consenso da SCCT 2026. O uso do N como categoria ou como modificador é explicado na seção de CAD-RADS.
O essencial
A qualidade global é classificada com uma escala visual, por exemplo de excelente a não diagnóstica, e vem acompanhada do artefato, de seu efeito e da correção aplicada.
Se um segmento com 1,5 mm de diâmetro ou mais não puder ser interpretado, o laudo nomeia o segmento e o artefato que o impede.
Antes de declarar um segmento não avaliável, revisam-se as demais fases e reconstruções, porque muitos artefatos mudam ou desaparecem nelas.
O movimento respiratório ou corporal também desloca o esterno e a coluna e, diferentemente do cardíaco, não se corrige com outra fase.
Sobre cálcio denso, informa-se o maior grau de estenose visível, com a ressalva de que o blooming pode superestimá-lo.
Uma faixa hipodensa junto ao cálcio, ao stent ou ao contraste denso pode ser endurecimento do feixe e simular placa não calcificada ou defeito de perfusão.
A CD média é marcada com N e a única estenose avaliável é leve, por isso a categoria é N (CAD-RADS N/P1). A seção de CAD-RADS explica quando o N é categoria e quando é modificador.
Outros nomes:qualidade do exame, qualidade de imagem, qualidade técnica do exame(nome usado no modelo de laudo do CAD-RADS 1.0, “Technical quality”), image quality
Como não há um padrão estabelecido, a SCCT 2026 recomenda classificar o exame como um todo com uma escala visual, por exemplo excelente, boa, média, regular, ruim ou não diagnóstica.
Como escrever no laudo
Qualidade do exame: regular, devido à opacificação luminal insuficiente, que limita a avaliação dos segmentos distais.
Não confundir: A qualidade “não diagnóstica” é um grau da escala visual que classifica o exame inteiro; o CAD-RADS N é atribuído com base nos segmentos com 1,5 mm ou mais que não podem ser interpretados com confiança.
Fonte: SCCT 2026, Laudo, seção d “Image quality and findings”, e Tabela 6, pp. 21 e 20 · “With no established standards for overall study quality, a visual schema such as excellent, good, average, fair, poor or non-diagnostic is recommended.”
Detalhes
Na prática. É registrada nos achados, antes da descrição das artérias. A SCCT 2026 pede que venha acompanhada dos artefatos presentes, com seu tipo, seu efeito na interpretação e a correção aplicada, se houver.
Erro a evitar. Atribuir a categoria N apenas por uma qualidade global “ruim” é incorreto. O N depende dos segmentos que não puderam ser interpretados.
Em outras fontes. O modelo de laudo do CAD-RADS 1.0 vinculava cada nível de qualidade técnica aos artefatos. Um exame excelente não tinha artefatos; um bom, artefatos menores; um aceitável, artefatos moderados; e um ruim ou subótimo, artefatos graves. A SCCT 2026 propõe seis níveis e não define nenhum deles. (CAD-RADS 1.0, Fig. 16)
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O seletor “Qualidade”, sob o título “Rascunho do laudo” e ao lado de “Contexto” e “Indicação”, oferece esses seis graus, vem com a opção “boa” selecionada e abre os achados com uma linha como “Qualidade do exame: boa.”; com “—”, a linha não é escrita. De “excelente” a “ruim”, o grau não altera a categoria. Com “não diagnóstica”, a linha acrescenta que a avaliação de toda a árvore coronariana é limitada, os vasos e segmentos sem achados são redigidos como “sem lesões identificáveis” e a impressão informa que a qualidade global do exame é não diagnóstica. Se, além disso, nenhum segmento estiver marcado com “N”, o programa aplica a regra do N ao exame inteiro: com estenose máxima menor que 50%, a categoria é N, como “CAD-RADS N/P1”, e com 50% ou mais a estenose é graduada e o modificador é acrescentado, como “CAD-RADS 3/P1/N”. Cada segmento não avaliável continua sendo marcado à parte com o botão “N” do editor. Essa redação dos segmentos sem achados é a do modelo de normalidade, que o mapa usa por padrão.
Segmento não avaliável (não diagnóstico) Non-interpretable (nondiagnostic) segment#
Outros nomes:segmento não interpretável, segmento não analisável, nonevaluable segment, non-diagnostic segment
Um segmento com 1,5 mm de diâmetro ou mais é não avaliável quando um artefato impede sua interpretação com confiança. A diretriz pede que se nomeiem o segmento e o artefato que o causa.
Como escrever no laudo
DA proximal: placa calcificada; o artefato de blooming impede a avaliação da luz e a graduação da estenose com confiança.
Não confundir: Um segmento não avaliável não é um segmento sem placa: a placa visível é descrita mesmo que a luz não possa ser graduada.
Fonte: SCCT 2026, Laudo, seção d “Image quality and findings”; também seção de estenose, p. 7 · “Whenever coronary segments are not interpretable, the affected segments and the causative artifact should be stated.”
Detalhes
Na prática. Antes de declará-lo não avaliável, revisam-se as demais fases, outros planos e outra janela. Se ainda assim não puder ser interpretado, nomeiam-se o segmento e o artefato, e descreve-se a placa visível. Quando se aplica o N, o CAD-RADS 2.0 só acrescenta o P se a carga global de placa puder ser avaliada de forma confiável, por exemplo pelo escore de cálcio (Agatston). Seu efeito na categoria é explicado na seção de CAD-RADS.
Erro a evitar. Informar “segmento não avaliável” sem explicar o motivo deixa o médico solicitante sem saber o que limitou o exame. A diretriz pede que se nomeiem o segmento e o artefato.
Em outras fontes. Para quantificar a placa, a SCCT 2024 leva em conta a qualidade de imagem e o calibre do vaso, e exclui os segmentos com artefatos graves. Um segmento proximal grande com artefatos moderados pode ser analisado, enquanto um distal pequeno com artefatos leves talvez não. (SCCT 2024, seção 2.2)
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O botão “N” do editor marca o segmento e o desenha com contorno duplo, como uma artéria tremida. Ao marcá-lo, a placa do segmento fica reservada, sem ser apagada (um stent é mantido): o segmento é descrito como não avaliável, sem grau, e sai da categoria. Os trechos do mesmo traço em outros segmentos mantêm seu grau e suas características e continuam contando. A placa volta como estava ao retirar o N, ao escolher um grau (que se aplica à placa que volta) ou ao desenhar por cima. Com “Descrever a placa visível”, o laudo acrescenta o tipo de placa sem graduar a estenose. A causa genérica pode ser trocada pelo artefato com “✎ Editar rascunho”; o rascunho editado deixa de se atualizar com o mapa. A placa reservada não conta no SIS da P automática.
Saída literal do modelo do mapa
Qualidade do exame: regular.
Descendente anterior (LAD): segmento proximal: placa não calcificada, estenose leve (25-49%); restante do vaso sem lesões. Ramos D1, D2: sem lesões.
Coronária direita (RCA): segmento médio: não avaliável por qualidade de imagem não diagnóstica; restante do vaso sem lesões. Ramos AM, R-PDA, R-PLB: sem lesões.
Impressão Estudo não diagnóstico para doença arterial coronariana obstrutiva. Categoria CAD-RADS N/P1.
Doença não obstrutiva em LAD.
Segmentos não avaliáveis: coronária direita (RCA) média.
Nenhum grau numérico de estenose é atribuído: a angiotomografia coronariana não pode guiar o manejo neste contexto e a doença arterial coronariana obstrutiva não pode ser excluída. Considere avaliação adicional ou alternativa (repetir a angio-TC, imagem funcional/de estresse ou angiografia invasiva).
Não avaliado, não avaliável e ausência demonstrada Not assessed, nonevaluable and demonstrated absence#
Outros nomes:não analisado(equivale a não avaliado), não realizado(dito de um teste; equivale a não avaliado), não interpretável(equivale a não avaliável), resultado negativo(equivale a ausência demonstrada), not assessed
São três resultados distintos. Há ausência demonstrada quando o achado foi procurado com qualidade suficiente e não foi encontrado. É não avaliável quando as imagens disponíveis não permitem avaliá-lo com confiança, por um artefato ou pela falta da fase necessária. Fica não avaliado quando não foi examinado ou o teste não foi feito, como uma CT-FFR que não foi realizada.
Como escrever no laudo
Stent na DA proximal com opacificação do vaso distal, não avaliável para reestenose devido ao blooming das hastes.
Não confundir: I− significa que foi feita CT-FFR ou perfusão por TC e o resultado foi negativo para isquemia; uma classificação sem I não exclui isquemia, pois indica que nenhuma das duas foi feita ou que a realizada não foi diagnóstica, caso que o CAD-RADS 2.0 permite marcar com N.
Fonte: SCCT 2026, Image quality, artifacts & pitfalls, f. False negative findings, p. 15; Laudo, f. Impression, p. 21; Tabela 5, p. 20. CAD-RADS 2.0, seções 3.3.1 (N) e 3.3.5 (I), e Tabela 1 · “In-stent restenosis is classified as absent, mild (<50%), significant (≥50%), occlusion, or non-evaluable.”
Detalhes
Na prática. Uma frase negativa, como “sem placa” ou “sem reestenose”, fica reservada ao que foi avaliado com qualidade suficiente, e a impressão de exame normal exige ausência de placa e de estenose. O que não é avaliável é nomeado com sua causa. Nem tudo o que não é avaliável leva N: o CAD-RADS 2.0 o reserva para segmentos com 1,5 mm ou mais que não podem ser interpretados com confiança, e permite aplicá-lo também a uma CT-FFR ou a uma perfusão não diagnósticas.
Erro a evitar. Chamar de normal, ou codificar como CAD-RADS 0, um exame sem placa nos segmentos avaliáveis, mas com um segmento não avaliável. O CAD-RADS 2.0 o codifica como N, porque a angio-TC não pode excluir uma estenose significativa nesse segmento. Também não se escreve “sem reestenose” só porque o vaso se opacifica distalmente ao stent: a SCCT 2026 adverte que o contraste distal não a exclui.
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Por padrão, o mapa usa o modelo de normalidade: os segmentos sem achados são descritos como livres de lesão mesmo que ninguém os tenha marcado, com uma linha cinza abaixo dos botões Word e PDF que lembra isso; com “não diagnóstica” em “Qualidade”, como sem lesões identificáveis, e com a P definida por “Cálcio (Agatston)” ou “Escolher P” sem placa desenhada, como sem estenose, o que não nega a placa. O botão “Não avaliado” do editor registra um segmento que não foi avaliado, e o laudo o escreve “sem avaliação”; um segmento marcado com “N” é descrito como não avaliável. O I só aparece se, na seção “Isquemia funcional (I)” de “Modificadores P · I ▾”, for registrado um resultado com “CT-FFR” ou “CTP” em “Via”; sem esse dado, a classificação não leva I. Ao marcar “N”, a placa do segmento fica reservada, sem ser apagada, como se explica em “Segmento não avaliável (não diagnóstico)”.
Outros nomes:artefato por movimento, artefato de movimentação cardíaca, motion artifact
Surge quando há movimento cardíaco, respiratório ou corporal durante a aquisição e borra os contornos do vaso. O movimento cardíaco afeta sobretudo o trecho vertical e muito móvel da CD.
Como escrever no laudo
CD média não avaliável por artefato de movimento cardíaco, que persiste em todas as fases reconstruídas.
Não confundir: O artefato de movimento borra o contorno do vaso; o desalinhamento desloca de forma abrupta as estruturas no limite entre dois blocos adquiridos em batimentos diferentes.
Fonte: SCCT 2026, Image quality, artifacts & pitfalls, c. Motion artifacts, pp. 14–15 · “Cardiac motion appears as vessel blurring, most commonly in the highly mobile vertical segment of the right coronary artery”
Detalhes
Na prática. Primeiro, revisam-se a parede torácica anterior e a coluna. Se mudarem de posição entre os blocos, o movimento é respiratório ou corporal e só se corrige repetindo a aquisição. Se não mudarem, reconstrói-se outra fase, muitas vezes sistólica se a frequência cardíaca for alta.
Erro a evitar. Graduar um segmento borrado sem revisar outra fase é um erro, porque o movimento pode tanto simular quanto ocultar lesões. Se o borramento não se resolver, o segmento é não avaliável.
Em outras fontes. A SCCT 2014 atribuía o borramento do vaso ao movimento dentro de um único batimento e observava que outras reconstruções às vezes o corrigem. Já o movimento entre batimentos, incluindo a respiração e o movimento corporal, produzia o artefato em degrau, hoje chamado de desalinhamento. (SCCT 2014, seção 5.1.1)
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O mapa não registra o tipo de artefato. Se o movimento impedir a interpretação de um segmento, ele é marcado com “N” e, ao editar o modelo de laudo, a causa genérica é substituída por “artefato de movimento”. Ao marcar “N”, a placa do segmento fica reservada, sem ser apagada, e volta ao retirar o N; como descrevê-la no laudo se explica em “Segmento não avaliável (não diagnóstico)”.
Saída literal do modelo do mapa
Qualidade do exame: média.
Descendente anterior (LAD): segmento médio: placa parcialmente calcificada, estenose moderada (50-69%); restante do vaso sem lesões. Ramos D1, D2: sem lesões.
Coronária direita (RCA): segmento médio: não avaliável por qualidade de imagem não diagnóstica; restante do vaso sem lesões. Ramos AM, R-PDA, R-PLB: sem lesões.
Segmentos não avaliáveis: coronária direita (RCA) média.
A árvore coronariana avaliável sustenta esta categoria e o manejo pode prosseguir de acordo; o modificador N apenas indica que doença focal não está excluída no(s) segmento(s) não avaliável(is) — não implica que o estudo seja não diagnóstico.
Artefato de desalinhamento (em degrau) Misalignment (stair-step) artifact#
Outros nomes:artefato em degraus, artefato em escada(tradução de “stairstep”, termo da SCCT 2026), artefato de transição(termo da SCCT 2026), stair-step artifact, artefato de step(anglicismo de “step artifact”, nome que a terminologia SCCT 2023 desaconselha)desaconselhado, artefato de registro(“registration artifact”, nome que a terminologia SCCT 2023 desaconselha)desaconselhado, artefato por erro de registro(“misregistration artifact”, nome que a terminologia SCCT 2023 desaconselha)desaconselhado
Consiste em um deslocamento abrupto das estruturas no limite entre blocos adquiridos em batimentos diferentes, em geral por ritmo irregular ou por sincronização incorreta com o ECG.
Como escrever no laudo
Artefato de desalinhamento no nível da DA média, que simula estenose e não persiste na reconstrução de outra fase.
Não confundir: Se o degrau também desloca o esterno e a coluna, a causa é respiratória ou corporal e outra fase não o corrige; se afeta apenas o coração, costuma dever-se ao ritmo ou à sincronização com o ECG e pode ser resolvido com outra fase.
Fonte: SCCT 2026, Image quality, artifacts & pitfalls, c. Motion artifacts, p. 14 · “Transition (stairstep or misalignment) artifacts occur at slab interfaces from different cardiac cycles, typically due to irregular rhythm or incorrect rhythm gating”
Detalhes
Na prática. É procurado nas reconstruções sagitais e coronais, onde o degrau aparece como uma linha horizontal que atravessa todo o coração. Se houver suspeita de pseudolesão, reconstrói-se outra fase ou desativa-se a correção de bordas, o que mostra o limite real entre os blocos.
Erro a evitar. Graduar um estreitamento que coincide com o limite entre dois blocos pode gerar um falso-positivo. Antes de graduá-lo, confirma-se o achado em outra fase ou sem a correção de bordas.
Em outras fontes. A terminologia padronizada SCCT 2023 recomenda “artefato de desalinhamento” (misalignment artifact) e desaconselha os nomes anteriores “de degrau” (step), “de registro” (registration) e “por erro de registro” (misregistration). A SCCT 2026 o chama de artefato de transição, em degraus (stairstep) ou de desalinhamento. (Terminologia SCCT 2023, Tabela 4)
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O mapa não tem um controle próprio para este artefato. Um segmento que continua sem poder ser interpretado é marcado com “N”, e no modelo de laudo a causa genérica é substituída por “artefato de desalinhamento”. Ao marcar “N”, a placa do segmento fica reservada, sem ser apagada, e volta ao retirar o N; como descrevê-la no laudo se explica em “Segmento não avaliável (não diagnóstico)”.
Artefato de blooming (cálcio e stent) Blooming artifact#
Outros nomes:efeito blooming, artefato de florescimento, efeito de volume parcial(termo que a terminologia SCCT 2023 prefere para o fenômeno físico; abrange também as pseudolesões nas bifurcações e nos limites entre blocos), blooming artifact
Pelo efeito de volume parcial dentro de cada voxel, a interface entre a luz e o cálcio ou o stent fica borrada. O material denso parece maior e a estenose é superestimada.
Como escrever no laudo
DA proximal: placa calcificada determinando estenose grave (70–99%); o grau pode estar superestimado pelo blooming do cálcio.
Não confundir: Se a luz é visível através do cálcio, informa-se o maior grau visível com a ressalva de superestimação; se o blooming a oculta, o segmento é não avaliável e a placa é descrita da mesma forma.
Fonte: SCCT 2026, Image quality, artifacts & pitfalls, e. Blooming artifact; Tabela 5, pp. 15 e 20 · “Blooming artifact results from partial volume averaging within a voxel, causing blurring at interfaces between coronary arteries and calcified plaques or stents and leading to overestimation of luminal stenosis”
Detalhes
Na prática. Revisam-se cortes finos com kernel mais duro ou imagens monoenergéticas de alta energia, se disponíveis. Sobre cálcio denso, informa-se o maior grau visível com a ressalva de possível superestimação. Um stent cuja luz não pode ser distinguida é informado como não avaliável para reestenose.
Erro a evitar. Medir a estenose sobre cálcio denso com a janela habitual exagera o blooming. Para essa medida, a janela é ampliada até que a borda do cálcio seja distinguível.
Em outras fontes. A terminologia padronizada SCCT 2023 prefere “partial volume averaging” (efeito de volume parcial) e considera “calcium blooming” um nome antigo não recomendado. A SCCT 2026 e o CAD-RADS 2.0 mantêm “blooming”, o termo usado no glossário. (Terminologia SCCT 2023, Tabela 4)
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Com placa “Calcificada” de 50 a 99%, o modelo de laudo acrescenta “grau possivelmente superestimado por blooming do cálcio”, inclusive na placa que está junto a um stent no mesmo segmento. Na impressão, sugere CT-FFR ou teste funcional se o manejo depender do grau; se o paciente tiver stent ou enxerto, sugere apenas teste funcional, e se esse território já tiver um resultado de CT-FFR ou CTP, não repete a sugestão. Um stent marcado com “N” é redigido como “stent não avaliável para reestenose por artefato ou pequeno calibre”. Ao marcar “N”, a placa fica reservada, sem ser apagada (um stent é mantido): o segmento é descrito como não avaliável e, com “Descrever a placa visível”, o laudo menciona a placa calcificada sem graduar a estenose. A placa volta ao retirar o N; veja “Segmento não avaliável (não diagnóstico)”.
Saída literal do modelo do mapa
Descendente anterior (LAD): segmento proximal: stent não avaliável para reestenose por artefato ou pequeno calibre; restante do vaso sem lesões. Ramos D1, D2: sem lesões.
Circunflexa (LCX): segmento proximal: placa calcificada, estenose mínima (1-24%); restante do vaso sem lesões. Ramos OM1, OM2, L-PLB: sem lesões.
Coronária direita (RCA): segmento proximal: placa calcificada, estenose leve (25-49%); segmento médio: placa calcificada, estenose mínima (1-24%); restante do vaso sem lesões. Ramos AM, R-PDA, R-PLB: sem lesões.
Impressão Estudo não diagnóstico para doença arterial coronariana obstrutiva. Categoria CAD-RADS N/P2/S.
Doença não obstrutiva em LCX e RCA.
A angio-TC (CCTA) tem acurácia limitada para reestenose em stents de pequeno calibre (aproximadamente <3 mm); considerar imagem funcional ou angiografia invasiva se houver suspeita clínica.
Segmentos não avaliáveis: descendente anterior (LAD) proximal.
Nenhum grau numérico de estenose é atribuído: a angiotomografia coronariana não pode guiar o manejo neste contexto e a doença arterial coronariana obstrutiva não pode ser excluída. Considere avaliação adicional ou alternativa (repetir a angio-TC, imagem funcional/de estresse ou angiografia invasiva).
Figura 1. O efeito de volume parcial estende a atenuação do cálcio e das hastes do stent aos voxels vizinhos e estreita a luz aparente. No exemplo, uma estenose real de 40% é medida como de 60% e passa de leve a moderada.
Outros nomes:artefato de endurecimento do feixe, beam-hardening artifact, artefato em estrias(nome que a terminologia SCCT 2023 desaconselha para o endurecimento do feixe)desaconselhado
O metal, o cálcio e o contraste denso absorvem sobretudo os fótons de baixa energia. Junto a eles aparecem áreas ou faixas hipodensas que podem simular placa não calcificada ou defeito de perfusão.
Como escrever no laudo
CD proximal: placa calcificada, com faixa hipodensa adjacente que diminui nas imagens monoenergéticas de alta energia, compatível com endurecimento do feixe.
Não confundir: O blooming aumenta o tamanho aparente do cálcio ou das hastes do stent e superestima a estenose; o endurecimento do feixe deixa áreas hipodensas junto a eles que simulam placa não calcificada ou hiperplasia intra-stent.
Fonte: SCCT 2026, Image quality, artifacts & pitfalls, d. Beam hardening and metallic artifacts; miocárdio, pp. 15 e 19 · “Beam-hardening artifacts arise from preferential attenuation of low-energy photons by metal, calcium, or dense contrast, producing low-attenuation areas or streaks adjacent to bright artifacts”
Detalhes
Na prática. Suspeita-se dele quando a hipoatenuação parte de cálcio, metal ou contraste denso. Revisam-se outras fases, um nível maior de reconstrução iterativa ou imagens monoenergéticas de alta energia. No miocárdio, costuma aparecer na parede inferolateral basal e no ápice.
Erro a evitar. Chamar de componente não calcificado a faixa hipodensa junto ao cálcio altera o tipo de placa. Se ela variar entre as fases ou diminuir nas imagens de alta energia, o mais provável é artefato.
Em outras fontes. A terminologia padronizada SCCT 2023 desaconselha chamar o endurecimento do feixe de “artefato em estrias” (streak artifact). A SCCT 2026 descreve à parte o artefato metálico, que produz estrias claras e escuras. (Terminologia SCCT 2023, Tabela 4)
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O mapa não registra este artefato. Se a faixa for artefato, a placa é marcada como “Calcificada”, e o editor remove dessa placa os marcadores “⬤ Baixa atenuação” e “◎ Anel de guardanapo” e desativa seus botões.
Outros nomes:ruído quântico, quantum mottle, image noise
Quando há poucos fótons, a imagem adquire textura granulosa, com estrias claras e escuras aleatórias. O ruído excessivo oculta o detalhe das partes moles, sobretudo da placa não calcificada.
Como escrever no laudo
Ruído de imagem excessivo devido ao biotipo, que limita a detecção de placa não calcificada.
Fonte: SCCT 2026, Image quality, artifacts & pitfalls, a. Excessive noise; Tabela 4, pp. 14 e 15 · “Image noise from low photon counts appears as granular texture with random bright and dark streaks.”
Detalhes
Na prática. Costuma decorrer de obesidade, de corrente do tubo ou quilovoltagem baixas para o tamanho do paciente, ou de uma fase reconstruída com corrente reduzida pela modulação por ECG. Reduz-se com cortes mais espessos, kernel mais suave ou mais reconstrução iterativa, à custa da resolução espacial.
Erro a evitar. Considerar normal um segmento ruidoso sem placa visível é um erro, porque o ruído oculta a placa não calcificada. Se ela não puder ser excluída, a limitação deve constar no laudo.
Em outras fontes. A SCCT 2014 permitia medir o ruído como o desvio-padrão das UH em uma região de tecido homogêneo. Também aceitava informá-lo como leve, moderado ou grave, embora reconhecesse que esses graus não são padronizados. (SCCT 2014, seção 10.6.1)
No CCTA Map
O ruído não tem um controle próprio. É expresso com o seletor “Qualidade” do “Rascunho do laudo” e, se impedir a interpretação de um segmento, esse segmento é marcado com o botão “N” do editor. Com “não diagnóstica” e sem segmentos marcados com “N”, o programa aplica a regra do N ao exame inteiro, como se explica em “Qualidade global do exame”. Ao marcar “N”, a placa do segmento fica reservada, sem ser apagada, e volta ao retirar o N; como descrevê-la no laudo se explica em “Segmento não avaliável (não diagnóstico)”.
Opacificação luminal insuficiente ou heterogênea Suboptimal contrast enhancement#
Outros nomes:opacificação subótima, realce subótimo, contrastação inadequada, suboptimal contrast enhancement
Há opacificação insuficiente quando o contraste realça pouco a luz, por causa do tamanho corporal, de circulação lenta, da técnica de injeção ou de extravasamento. A mistura de contraste pode simular placa não calcificada ou estenose.
Como escrever no laudo
DA distal não avaliável por opacificação luminal insuficiente.
Não confundir: A mistura de contraste muda entre as fases e não se acompanha de espessamento da parede; a placa não calcificada espessa a parede e persiste em todas as fases.
Fonte: SCCT 2026, Image quality, artifacts & pitfalls, b. Suboptimal contrast enhancement, e g. False positive findings, pp. 14 e 17 · “Suboptimal contrast enhancement, contrast mixing, and flow artifacts can mimic non-calcified plaque or luminal stenosis”
Detalhes
Na prática. Uma área duvidosa é revisada em outras fases, com outra janela e em cortes mais espessos, para ver se há parede espessada ou apenas luz pouco densa. As imagens monoenergéticas de baixa energia aumentam o realce da luz.
Erro a evitar. Considerar livre de placa um segmento distal mal opacificado. Se a luz não puder ser distinguida, o segmento é não avaliável e é nomeado com sua causa.
Em outras fontes. A diretriz de aquisição SCCT 2016 considera que uma imagem ideal requer opacificação intra-arterial maior que 250 UH. A SCCT 2026 não fixa um limiar numérico para classificar a opacificação como insuficiente. (Diretriz de aquisição SCCT 2016, seção 4.12.1)
No CCTA Map
A opacificação não é registrada separadamente. Ela se reflete no seletor “Qualidade” do “Rascunho do laudo”, e um segmento que não pode ser interpretado por falta de realce é marcado com o botão “N” do editor. Com “não diagnóstica” e sem segmentos marcados com “N”, o programa aplica a regra do N ao exame inteiro, como se explica em “Qualidade global do exame”. Ao marcar “N”, a placa do segmento fica reservada, sem ser apagada, e volta ao retirar o N; como descrevê-la no laudo se explica em “Segmento não avaliável (não diagnóstico)”.
Reconstrução multiplanar e curva Multiplanar and curved multiplanar reformatMPR · CPR#
Outros nomes:reformatação multiplanar(tradução de “multiplanar reformat”, nome recomendado pela terminologia SCCT 2023 e pela SCCT 2026), reconstrução curva, MPR curva(“curved MPR” na SCCT 2026), CMPR(sigla da SCCT 2026; a terminologia SCCT 2023 escreve cMPR), reconstrução planar curva(“curved planar reformat”, nome do RadLex citado pela terminologia SCCT 2023; daí a sigla CPR), reconstrução retificada(“straightened MPR”, sMPR, variante da curva que mostra o vaso reto)
A reconstrução multiplanar (MPR) mostra o volume adquirido em qualquer plano, e a curva (CPR) segue a linha central da artéria para desdobrar todo o seu trajeto em uma única imagem longitudinal, que pode ser girada 360° em torno desse eixo. O corte transversal, ou eixo curto do vaso, é perpendicular à linha central; abrange a luz e a parede em toda a circunferência e costuma ser o plano que melhor mostra o tamanho e a composição da placa.
Como escrever no laudo
Foram revisados os cortes axiais e as reconstruções multiplanares oblíquas, curvas e em eixo curto de cada artéria.
Não confundir: O corte axial, que a SCCT 2026 também chama de “transverse”, é o plano do corpo em que a aquisição é reconstruída; o corte transversal do vaso é perpendicular à sua linha central e só coincide com o axial onde a artéria corre no sentido craniocaudal.
Fonte: SCCT 2026, formatos de imagem, b. Multiplanar reformats e c. Curved and straightened MPR, p. 2; interpretação coronariana, p. 4; placa aterosclerótica, p. 5; graduação qualitativa e quantitativa da estenose, p. 7; falsos-negativos, falsos-positivos e superestimação, pp. 15–17 · “Attention should be paid to post-processing artifacts including centerline misregistration, which can result in false-positive stenosis.”
Detalhes
Na prática. A estenose é avaliada no corte transversal e em pelo menos dois planos longitudinais perpendiculares entre si, e a luz é comparada com a de um segmento normal de referência. Um erro da linha central pode criar uma estenose falsa; por isso, antes de informar um estreitamento visto na reconstrução curva, confirma-se que a linha passa pelo centro da luz nesse trecho e que o estreitamento persiste no corte transversal, em outro plano e nas demais fases reconstruídas. A reconstrução retificada (sMPR) mostra o vaso reto e ajuda a localizar a estenose mais grave; os programas de quantificação medem diâmetros e áreas em cortes transversais obtidos dela ou de uma MPR oblíqua dupla ortogonal. Os planos coronal e sagital ajudam a reconhecer artefatos, como o degrau do desalinhamento.
Erro a evitar. Graduar a estenose apenas na reconstrução curva automática. Se a linha central se afasta do centro da luz, a reconstrução corta a artéria fora do seu eixo e pode mostrar uma estenose que não existe; além disso, um único plano longitudinal pode subestimar uma estenose excêntrica.
Em outras fontes. A terminologia padronizada SCCT 2023 recomenda “multiplanar reformat” (MPR) e “curved multiplanar reformat” (cMPR), considera “curved multiplanar reconstruction” um nome anterior não recomendado e reserva “reconstruction” para o cálculo das imagens a partir das projeções adquiridas; o glossário mantém “reconstrução”, como nas demais entradas. No estudo de Anders 2011, citado pela SCCT 2026, a extração semiautomática do vaso com reconstrução curva não melhorou a acurácia em relação à MPR interativa, e os autores não recomendam usar apenas a curva automática, sobretudo no caso de leitores com pouca experiência. (Terminologia SCCT 2023, Tabela 3; Anders 2011, Eur J Radiol, resumo)
Formatos de imagem da angiotomografia de coronárias: o que cada um mostra, para que serve e qual é o seu limite.
Formato
O que mostra
Para que serve
Limite ou cuidado
Axial
Os cortes de origem, com a maior resolução espacial e fidelidade de tons de cinza
Percorrer todo o volume; a 120 kVp, a janela parte de nível 300 e largura 800 e é ajustada ao biotipo do paciente, ao cálcio e ao realce do contraste
É difícil seguir um vaso tortuoso
MPR oblíqua e transversal
O volume em qualquer plano, com o corte mais fino disponível (por exemplo, 0,6 ou 0,4 mm)
Seguir o vaso e ver a placa e seu efeito na luz e na parede
A estenose é confirmada no corte transversal e em dois planos longitudinais perpendiculares
Curva (CPR)
Todo o trajeto do vaso em uma imagem longitudinal que gira 360°
Seguir vasos tortuosos e obter cortes longitudinais e transversais em qualquer ponto
Um erro da linha central cria estenoses falsas, e um único plano pode subestimar a estenose excêntrica
Retificada (sMPR)
O vaso convertido em uma linha reta
Localizar a estenose mais grave, avaliar a placa e a gordura pericoronariana e quantificar
Deriva da reconstrução curva; por isso, também se revisa sua linha central
MIP
O voxel de maior atenuação em cada linha de visão: a luz com contraste e o cálcio
Com 5 a 10 mm, origem, trajeto e localização de lesões; em corte fino, lesões que passam despercebidas
Não serve para graduar: subestima a placa não calcificada, superestima a calcificada e oculta os defeitos de perfusão
MinIP
O voxel de menor atenuação
Defeitos de perfusão do miocárdio e valvas
A SCCT 2026 só a menciona para o miocárdio e as valvas
Volume 3D (VRT)
Uma imagem tridimensional da anatomia
Anomalias coronarianas, enxertos, cardiopatias congênitas, planejamento de procedimentos e localização de estenoses
Não quantifica a estenose, não avalia bem a placa calcificada e não mostra a não calcificada
Fonte: SCCT 2026, “CCTA image formats”, itens a–e e h, pp. 2–3; graduação quantitativa, p. 7; falsos-negativos, p. 15; miocárdio, p. 19
No CCTA Map
O mapa não mostra imagens nem reconstruções: nele se marca o que o radiologista já avaliou na estação de trabalho, e o mapa não registra em que plano cada estenose foi graduada. O grau escolhido com os botões 0–5 de “Gravidade” ou com o controle deslizante “Grau de estenose” deve ser o confirmado no corte transversal e em dois planos longitudinais.
Projeção de intensidade máxima e mínima Maximum and minimum intensity projectionMIP · MinIP#
Outros nomes:projeção de intensidade máxima, projeção de máxima intensidade, projeção de intensidade mínima, MIP de corte fino(“thin-slab MIP”, bloco de poucos milímetros), MiniP(grafia da sigla na seção de miocárdio da SCCT 2026)
A projeção de intensidade máxima (MIP) mostra, em cada linha de visão através de um bloco da espessura escolhida, o voxel de maior atenuação, e a de intensidade mínima (MinIP), o de menor atenuação. A MIP destaca a luz com contraste e o cálcio; a MinIP destaca o que é hipodenso, como um defeito de perfusão do miocárdio. A MIP perde a informação de atenuação em profundidade e não é confiável para graduar uma estenose.
Como escrever no laudo
Área hipoatenuante subendocárdica no segmento inferior médio do ventrículo esquerdo, visível nas reconstruções MinIP em eixo curto com janela estreita.
Condição do exemplo: A hipoatenuação persiste em várias fases do ciclo; se aparecer e desaparecer ou mudar de lugar entre as fases, sugere artefato, como o endurecimento do feixe.
Não confundir: Com a mesma espessura de bloco, a MIP mostra o voxel mais denso e mascara um defeito de perfusão, a MinIP mostra o menos denso e o destaca, e a MPR em modo média mostra a atenuação média.
Fonte: SCCT 2026, formatos de imagem, d. Maximal intensity projection e h. Other image types, p. 3; falsos-negativos e falsos-positivos, pp. 15–16; miocárdio, p. 19. Terminologia SCCT 2023, Tabela 3 · “MIP should not be interpreted in isolation because it lacks in-depth attenuation information and is unreliable for stenosis assessment, underestimating noncalcified plaque and overestimating calcified disease”
Detalhes
Na prática. A SCCT 2026 propõe blocos de MIP de 5 a 10 mm para seguir trechos longos com pouco ruído e mostrar a origem, o trajeto e a localização das lesões. A MIP de corte fino ajuda a encontrar as lesões que passam despercebidas perto de bifurcações, em vasos pequenos e distalmente à anastomose de um enxerto, e a esclarecer uma estenose aparente em um vaso tortuoso ou angulado. O que se vê na MIP é graduado depois em MPR de corte fino. No miocárdio, a perfusão é mais bem avaliada em vários planos (eixo curto, quatro e duas câmaras), com MPR de 5 a 8 mm em modo média ou MinIP e janela estreita, por exemplo de largura 200 e nível 100 UH; a MinIP também serve para avaliar as valvas.
Erro a evitar. Graduar uma estenose na MIP ou procurar nela defeitos de perfusão. A SCCT 2026 adverte que a MIP subestima a placa não calcificada, superestima a calcificada e não deve ser interpretada isoladamente, e que no miocárdio deve ser evitada porque mascara os defeitos.
Em outras fontes. Karlo 2012, revisão que a SCCT 2026 cita para os achados falsos-negativos e falsos-positivos, descreve a MIP como uma imagem semelhante à angiografia, usa blocos de 3 a 5 mm para localizar placas e desaconselha os de mais de 10 mm, que podem ocultar lesões ou criar falsos-positivos por cálcio da parede ou stents vizinhos. Na SCCT 2021, a perfusão de primeira passagem é revisada com MinIP de 8 mm em eixo curto e janela estreita, e o realce tardio, em que a cicatriz retém o iodo e fica mais densa, com MPR espessas de 5 ou 10 mm ou com MIP. (Karlo 2012, Insights Imaging, “Post-processing” e “Evaluation of coronary arteries: step one”; SCCT 2021, seção 4.8, p. 208)
No CCTA Map
O mapa não mostra imagens nem registra com qual reconstrução um achado foi visto. Uma área hipoatenuante do miocárdio na angiotomografia de repouso não tem campo próprio: é descrita com “✎ Editar rascunho”, e o rascunho editado não se atualiza mais com o mapa. A seção “Isquemia funcional (I)” de “Modificadores P · I ▾” recebe apenas o resultado de uma CT-FFR ou de uma perfusão miocárdica por TC sob estresse, nas vias “CT-FFR” e “CTP”.
Autoavaliação
Perguntas curtas para verificar o essencial. A resposta aparece ao escolher uma opção.
1A CD média continua borrada por movimento depois da revisão de todas as fases reconstruídas, e o restante da árvore coronariana pode ser interpretado. Segundo a SCCT 2026, o que deve constar no laudo?
A diretriz pede que se nomeiem os segmentos que não puderam ser interpretados e o artefato responsável. Assim, o médico solicitante sabe que parte da árvore ficou sem avaliação e por quê. Ver o termo
2Na reconstrução curva, a DA distal mostra um estreitamento de bordas retas. No plano sagital, nesse nível, uma linha horizontal desloca o contorno do coração, mas o esterno e a coluna aparecem contínuos. Qual é a explicação mais provável?
Um degrau no limite entre blocos que poupa o esterno e a coluna indica desalinhamento relacionado ao ritmo. O movimento respiratório deslocaria também essas estruturas. A confirmação é feita com a reconstrução de outra fase. Ver o termo
3Uma placa densamente calcificada da DA proximal produz uma estenose que, com janela ampla e kernel mais duro, continua a medir cerca de 75%. Como deve ser informada segundo a SCCT 2026?
A Tabela 5 recomenda informar o maior grau visível sobre cálcio denso com a ressalva de possível superestimação por blooming. Alguns leitores subtraem de 10 a 20%, mas fazê-lo sem registrar no laudo esconde do médico solicitante a incerteza da medida. Ver o termo
4Junto a um nódulo de cálcio denso da CD proximal há uma faixa hipodensa. Em outra fase ela muda de forma e, na reconstrução monoenergética de alta energia, quase desaparece. O que ela representa?
O endurecimento do feixe produz áreas hipodensas junto ao cálcio que simulam placa não calcificada. Ele melhora em outras fases e nas imagens de alta energia, enquanto a placa verdadeira persiste. Ver o termo
5Em um paciente com IMC de 45, o exame tem uma textura granulosa que dificulta ver a parede das artérias. Que mudança na reconstrução reduz o ruído?
Cortes mais espessos, kernel mais suave e um nível maior de reconstrução iterativa reduzem o ruído à custa da resolução espacial. Cortes finos e kernel duro o aumentam. Ver o termo
Rajiah PS, Alkadhi H, Andreini D, Bullock-Palmer RP, Chinnaiyan K, Chow B, et al. Interpretation and reporting of coronary computed tomographic angiography (2026 update): an expert consensus document of the Society of Cardiovascular Computed Tomography (SCCT). J Cardiovasc Comput Tomogr. 2026. doi:10.1016/j.jcct.2026.08.014 Versão final (version of record) publicada on-line em setembro de 2026 sob a licença CC BY 4.0, ainda não atribuída a um número da revista; as páginas citadas são as do PDF dessa versão publicada.
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Fontes das notas “Em outras fontes”
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Abbara S, Blanke P, Maroules CD, et al. SCCT guidelines for the performance and acquisition of coronary computed tomographic angiography: a report of the Society of Cardiovascular Computed Tomography Guidelines Committee. Endorsed by the North American Society for Cardiovascular Imaging (NASCI). J Cardiovasc Comput Tomogr. 2016;10(6):435-49. doi:10.1016/j.jcct.2016.10.002
Este glossário traduz para o português e adapta definições, tabelas e figuras do consenso SCCT 2026: Rajiah PS, et al. Interpretation and reporting of coronary computed tomographic angiography (2026 update): an expert consensus document of the Society of Cardiovascular Computed Tomography (SCCT). J Cardiovasc Comput Tomogr. 2026. doi:10.1016/j.jcct.2026.08.014, publicado sob a licença CC BY 4.0. Alterações: reformulação em linguagem simples e reorganização das tabelas; os diagramas são esquemas dinâmicos do mapa e não reproduzem exatamente as figuras da diretriz. A SCCT não revisou nem endossou este glossário. CC BY 4.0